Queda do IGP-M não deve reduzir valor dos aluguéis em 2026, avalia especialista em mercado imobiliário
Deflação de 1,05% no índice usado como referência para reajustes tende a impedir aumentos, mas fatores como valorização imobiliária e contratos atrelados ao IPCA mantêm pressão sobre os preços
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como a “inflação do aluguel”, encerrou 2025 com deflação acumulada de 1,05%, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar do resultado negativo, a expectativa de redução nos valores dos aluguéis em 2026 é considerada pouco provável por especialistas do setor imobiliário.
De acordo com o advogado especialista em Direito Imobiliário Diego Amaral, a queda do índice não significa, necessariamente, diminuição no valor pago pelos inquilinos. “É muito difícil haver uma redução dos contratos de aluguel. O que deve acontecer, na maioria dos casos, é a não correção com aumento do valor”, explica.
Segundo o advogado, nos contratos que utilizam o IGP-M como indexador, a deflação pode impedir o reajuste anual, mantendo o valor do aluguel no mesmo patamar do ano anterior. “Quando o índice fica negativo, em regra, ele não serve para diminuir o valor da locação. O contrato tende a permanecer com o valor do ano anterior, salvo previsão expressa em contrário”, pontua.
Amaral ressalta ainda que muitos contratos passaram a prever cláusulas alternativas para períodos de deflação. “Alguns contratos estabelecem a possibilidade de substituição do índice, como a adoção do IPCA quando o IGP-M apresenta deflação. Isso depende muito do que foi pactuado entre as partes”, afirma.
Mesmo com a queda do IGP-M, o especialista avalia que outros fatores têm pesado mais na definição dos preços dos aluguéis no Brasil. “Na prática, a deflação do IGP-M não tem sido suficiente para aliviar os valores. O que vemos é uma valorização constante do metro quadrado dos imóveis, o que acaba puxando os preços para cima e impactando diretamente os valores de locação”, analisa.
Em Goiás, especialmente em Goiânia e Região Metropolitana, o cenário segue a tendência nacional. Segundo Amaral, o aquecimento do mercado imobiliário tem neutralizado os efeitos da deflação do índice. “Temos observado um aumento constante dos aluguéis, muitas vezes acima da inflação, impulsionado pelo boom imobiliário e pela valorização dos imóveis de alto padrão, que acabam influenciando todo o mercado”, destaca.
Diante desse cenário, o advogado reforça que a negociação continua sendo o principal caminho para reajustes equilibrados em 2026, sobretudo nos contratos que migraram do IGP-M para o IPCA. “A relação de locação é construída no diálogo entre locador e locatário. A troca de índices, congelamento de reajustes ou até a fixação de percentuais anuais — como 4%, 5% ou 6% — devem ser fruto de conversa e bom senso entre as partes”, conclui.
Calculado mensalmente pela FGV, o IGP-M acompanha a variação de preços em diferentes etapas da economia e segue sendo uma referência importante para contratos de aluguel. No entanto, o especialista alerta que o comportamento do mercado imobiliário, aliado às negociações contratuais, continuará sendo determinante para os valores praticados ao longo de 2026.