Brasileiros que moram sozinhos já são quase 20% e tendência redefine o mercado imobiliário
Mudanças no perfil familiar, envelhecimento da população e busca por autonomia impulsionam crescimento das moradias unipessoais no Brasil
O número de brasileiros que optam por morar sozinhos cresce de forma contínua nas últimas décadas e já representa uma transformação social com reflexos diretos no mercado imobiliário. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2012, apenas 12% das residências brasileiras tinham um único morador. Em 2024, esse percentual ultrapassou 18%, se aproximando de 20% dos domicílios no país.
A mudança reflete novos comportamentos da população, como o adiamento do casamento, o aumento dos divórcios, a maior expectativa de vida e a valorização da autonomia individual. O levantamento também aponta diferenças entre gêneros e faixas etárias: mulheres são maioria entre os que moram sozinhos acima dos 60 anos, enquanto os homens predominam entre 30 e 59 anos, indicando que essa escolha ocorre cada vez mais cedo.
Para o advogado especialista em direito imobiliário Diego Amaral, o crescimento das moradias unipessoais vai além de uma tendência passageira e revela uma mudança estrutural na forma de morar. “O brasileiro passou a enxergar a casa não apenas como um espaço familiar tradicional, mas como um ambiente de bem-estar individual. Isso impacta diretamente o tipo de imóvel procurado e a forma como o mercado se organiza”, explica.
Segundo ele, a demanda crescente por imóveis compactos, bem localizados e funcionais exige atenção jurídica tanto de compradores quanto de investidores. “Apartamentos menores, contratos de locação mais flexíveis e imóveis mobiliados ganham destaque. Esse novo perfil de morador busca praticidade, segurança e autonomia, o que exige planejamento urbano e segurança jurídica nas negociações”, afirma Diego Amaral.

O envelhecimento da população também acelera esse movimento. Dados do IBGE indicam que quase 30% das moradias unipessoais são ocupadas por pessoas com 60 anos ou mais. “Muitos idosos hoje optam por morar sozinhos de forma consciente, mantendo independência e qualidade de vida. Isso reforça a importância de imóveis acessíveis, com boa infraestrutura e serviços próximos”, pontua o advogado.
Em estados como Goiás, onde mais de 20% dos domicílios já têm apenas um morador, o fenômeno se torna ainda mais evidente. Para Diego Amaral, o cenário exige que o mercado imobiliário, incorporadoras e profissionais do direito acompanhem essas mudanças.
“Estamos diante de uma nova configuração social. Quem atua no setor precisa compreender esse perfil para oferecer soluções adequadas, seguras e alinhadas ao estilo de vida contemporâneo”, conclui.