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Mercado imobiliário de alto padrão ganha força em Goiás com avanço do agronegócio

Goiânia movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano no setor, enquanto regiões valorizadas da capital registram preços superiores a R$ 13 mil por metro quadrado

O mercado imobiliário de alto padrão vive um momento de expansão em Goiás, impulsionado por fatores como o crescimento econômico, a valorização dos imóveis e o aumento do poder de compra de parte da população. Nesse cenário, a força do agronegócio aparece como um dos principais vetores de geração de renda e movimentação de capital, com reflexos diretos na procura por imóveis sofisticados, tanto para moradia quanto para investimento.

Em Goiânia, o mercado imobiliário movimenta cerca de R$ 8 bilhões em vendas por ano, segundo levantamento da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado de Goiás (Ademi-GO). Entre as regiões analisadas, o Setor Marista apresenta um dos valores mais altos da capital, chegando a R$ 13.336 por metro quadrado.

Para o advogado especialista em mercado imobiliário Diego Amaral, a expansão do agronegócio contribui para fortalecer a demanda por imóveis de maior padrão porque aumenta a circulação de renda e estimula a diversificação patrimonial entre produtores, empresários e investidores.

“O mercado imobiliário acompanha o desenvolvimento econômico de uma região. Em Goiás, a força do agronegócio gera renda, atrai investimentos e movimenta uma cadeia extensa de negócios. Parte desse capital acaba sendo direcionada para imóveis de alto padrão, que representam não apenas qualidade de vida, mas também uma forma de construir e proteger patrimônio”, afirma.

Goiânia se consolida como polo imobiliário

A capital goiana ocupa posição estratégica nesse mercado por concentrar serviços, comércio, saúde, educação, gastronomia e infraestrutura, além de atender consumidores de municípios do interior e de outras regiões do Centro-Oeste. Esse cenário favorece a procura por apartamentos de alto padrão, casas em condomínios horizontais e empreendimentos com estrutura diferenciada.

De acordo com pesquisa de hábitos de consumo da Globo/PiniOn, divulgada em julho deste ano, o público de alta renda representa 8% da população do Centro-Oeste, enquanto a média nacional é de 4,4%. Embora o levantamento não estabeleça uma relação direta entre esse perfil de consumo e a renda do agronegócio, o setor é apontado por Diego Amaral como um dos motores da economia goiana e um dos fatores que ajudam a movimentar o mercado de alto padrão.

Para o especialista, o comportamento do consumidor também vem mudando. “O comprador de alto padrão está mais criterioso. Ele não procura apenas metragem ou acabamento. Segurança, localização, tecnologia, privacidade, áreas de lazer e a qualidade de toda a estrutura do empreendimento passaram a pesar muito na decisão de compra”, explica.

A avaliação acompanha uma transformação no próprio conceito de luxo no mercado imobiliário. Mais do que grandes metragens, os compradores passaram a buscar empreendimentos que ofereçam praticidade, exclusividade e soluções capazes de proporcionar uma experiência diferenciada de moradia.

Imóvel também é estratégia patrimonial

O fortalecimento do segmento também está relacionado à utilização dos imóveis como instrumento de diversificação patrimonial. Para produtores rurais e empresários que acumulam patrimônio a partir da atividade econômica, a aquisição de imóveis em regiões valorizadas pode representar uma alternativa para distribuir investimentos e preservar capital no longo prazo.

“O imóvel de alto padrão deixou de ser visto apenas como um bem de consumo. Para muitos compradores, ele faz parte de uma estratégia patrimonial. A escolha do empreendimento, da região e do momento da aquisição pode fazer diferença tanto para quem pretende morar quanto para quem pensa na valorização futura daquele patrimônio”, destaca o advogado.

O cenário de valorização é influenciado por diferentes fatores, entre eles o custo da construção, o preço dos terrenos, a disponibilidade de áreas em regiões nobres e o nível de demanda. Segundo levantamento da Ademi-GO, o aumento dos custos de produção, a falta de mão de obra e os preços dos terrenos estão entre os elementos que pressionam os valores dos apartamentos na capital.

Efeito que vai além da compra do imóvel

A expansão do mercado de alto padrão também movimenta uma cadeia de atividades ligadas à construção civil e ao consumo. Arquitetura, engenharia, decoração, paisagismo, mobiliário, tecnologia, segurança e serviços especializados são alguns dos segmentos beneficiados pela construção e ocupação desses empreendimentos.

“Quando existe crescimento da renda e confiança para investir, o reflexo aparece no mercado imobiliário. E não estamos falando somente da venda do apartamento ou da casa. Existe toda uma cadeia econômica envolvida na construção, na decoração, nos serviços e na manutenção desses imóveis”, ressalta Diego.

A movimentação ajuda a explicar por que o mercado imobiliário ocupa posição relevante dentro da economia goiana. O avanço de empreendimentos de alto padrão acompanha, de um lado, a demanda de consumidores com maior poder aquisitivo e, de outro, a estratégia de incorporadoras que identificam espaço para novos produtos e formatos de moradia.

Para o especialista, a tendência é de continuidade da transformação do segmento. “Goiás já tem um mercado imobiliário bastante estruturado e uma economia que continua atraindo investimentos. A combinação desses fatores cria um ambiente favorável para o segmento de alto padrão. O desafio do mercado será acompanhar um consumidor cada vez mais exigente, que busca exclusividade, mas também quer segurança de que está fazendo um bom negócio”, conclui.

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